Usina Cultural alia mosaico sonoro e empreendedorismo
- 24 de jul.
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Festival destaca a diversidade artística e é uma vitrine para marcas independentes
Nicolle Santos
Yanca Araújo
Antônio Marcos
Na noite de sábado, 18 de abril de 2026, Imperatriz transformou-se no palco da décima edição do festival Usina Cultural. O evento, realizado na Beira-Rio, foi estruturado de forma estratégica para fomentar a economia criativa regional. A intenção foi proporcionar maior visibilidade a pequenos expositores, artesãos e artistas locais que encontram poucas oportunidades de exibição na agenda cultural do município. Logo na entrada, o visitante se via imerso em uma atmosfera lúdica inspirada na temática "Circus", decorada de forma envolvente com bandeirinhas cênicas, iluminação neon e elementos visuais que remetiam à tradição e magia do circo.

Do lado de dentro, a estrutura abrigava uma feira de empreendedorismo e um palco para as apresentações culturais. Os visitantes puderam transitar entre diversas barracas de produtos manufaturados, acompanhar demonstrações esportivas com rounds de jiu-jitsu e realizar flash tattoos temporárias. A trilha sonora da noite estendeu-se por apresentações musicais diversas, culminando na performance energética da banda paraense Marina & os Leones, vinda diretamente de Belém (PA), para estabelecer uma conexão artística e cultural com o público maranhense.
A concepção do festival e seu impacto social para a comunidade foram destacados pelo organizador da Usina Cultural, Mateus Brito Milhomem Leão. De acordo com o idealizador, o projeto nasceu da necessidade urgente de abrir espaços democráticos em Imperatriz para preencher a escassez de programações culturais independentes e impulsionar financeiramente quem produz na região. “A gente buscou fazer um evento que abrangesse todos da cidade, gerando mais visibilidade para esses pequenos empreendedores locais”, enfatizou Mateus.

Identidade regional
O corredor de estandes funcionou como uma vitrine comercial para marcas independentes locais, como os óculos de sol da X. No setor dedicado ao artesanato sustentável, a barraca da loja “As Silvas” chamou a atenção pela variedade de peças. Fabiane Carvalho, representante do espaço, explicou que a iniciativa atua como uma loja-escola vinculada diretamente ao Centro Cultural Tatajuba, operando tanto na comercialização de produtos manuais quanto na capacitação gratuita de moradores da região, em múltiplos segmentos das artes. “Também ensinamos quem quer começar com o artesanato, artes plásticas, dança, culinária”, relatou a expositora.

Avançando pelos estandes, a riqueza cultural do interior maranhense ganhou destaque na culinária e nas bebidas típicas. Representando a marca “Beba Carolina - Cachaça, Licor e Pimenta”, o expositor Roberto detalhou que viajou de Carolina (MA) exclusivamente para integrar o corpo de feirantes da 10ª edição da Usina Cultural. O objetivo central de sua participação foi enaltecer a identidade do sertão maranhense por meio de insumos regionais. “Vim com o intuito de propagar a cultura do sertanejo lá do sertão da nossa Chapada das Mesas”, declarou Roberto, ilustrando o poder de atração intermunicipal do festival.

Cobertura digital
Além do público presencial que ocupou as dependências da Beira Rio, a 10ª Usina Cultural expandiu suas fronteiras físicas a partir da convergência digital. A criadora de conteúdo Letycia Alencar utilizou a dinâmica efervescente do ambiente para produzir materiais focados na experiência do festival em tempo real para redes sociais como o Instagram.
Ela relatou que considerou a edição memorável pela fidelidade do evento ao tema circense proposto. "Eu achei bastante especial que eles fizeram jus ao tema Circus!", contou ela sobre a decoração e o ambiente do festival. A sintonia da atração principal foi o elemento de maior impacto. Para Letycia, o ponto alto da noite foi do show da Marina e os Leones. “A Marina é linda, ela fez uma apresentação perfeita e se certificou mesmo de ter uma conexão bem legal com a gente”.

Pluralidade musical
Para além da vitrine empreendedora, o espetáculo sonoro foi o grande motor da noite, intercalando ritmos regionais com a força da cena eletrônica local. Representando o pop imperatrizense, o cantor Henry Skye e o DJ Nico mantiveram a energia do público em alta e refletiram essa animação nos bastidores. "Foi mágico! O pop local precisa dessa vitrine, e sentir o calor da galera cantando junto não tem preço", comemorou Henry. O entusiasmo foi compartilhado por Nico: "Tocar na Usina é sempre um acontecimento! Ver o público vibrando e dançando cada hit que eu soltava foi incrível".

No campo da música eletrônica, a noite também serviu como um importante espaço de afirmação. Em áudios enviados à reportagem, as DJs Passos e Bea Santos avaliaram o impacto social do set conjunto que realizaram. "Tocar juntas nesse formato no palco da Usina foi um marco. A gente sabe como a cena eletrônica noturna ainda é muito dominada por homens, então estarmos ali no comando é uma vitória imensa para a visibilidade e o protagonismo da mulher na discotecagem da cidade", comentou Bea.

A diversidade do line-up abraçou ainda a musicalidade ímpar de Melquíades, uma das bandas de tributos de rock mais queridas de Imperatriz e a presença do duo Buffalo & Soldier com muito reggae e groove. Toda essa pluralidade preparou o terreno para o ápice do festival: a banda Marina & os Leones.
Com uma performance energética, o grupo paraense dominou o palco principal, materializando o intercâmbio cultural que o evento promove há uma década. Em sintonia com o discurso de abertura de sua apresentação, a vocalista celebrou a conexão interestadual: "Sair de Belém para estar nessa décima edição foi surreal. A gente sempre faz questão de trazer esse nosso tempero do Pará para cá e misturar tudo nas terras maranhenses. A energia e a recepção daqui são únicas!".

Esse mosaico sonoro, que uniu o pop, as batidas eletrônicas femininas, a música urbana e os acordes do Norte, amarrou o legado da décima edição. Das barracas da feira ao microfone do palco principal, a Usina Cultural comprovou ser muito mais que uma opção de lazer, consolidando-se como o verdadeiro epicentro de integração, oportunidade e sobrevivência da arte na região.





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