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Tatajuba pela Música estimula canções autorais

  • 24 de jul.
  • 4 min de leitura

Encontro promoveu trocas culturais entre compositores e artesãs criativas


Aylla Almeida

Heitor Steinhorst

Josué Dino

Kalyne Dutra

Paôla Macedo


O evento Tatajuba pela Música, realizado no Centro Cultural Tatajuba, em Imperatriz (MA), no dia 17 de abril de 2026, reuniu artistas locais, artesãos e público da região em uma programação voltada à valorização da cultura regional. Com apresentações musicais de Erasmo Dibell e do convidado Ricardo Lima, o encontro também destacou o trabalho dos artesãos locais e atraiu visitantes de cidades vizinhas, como Açailândia, fortalecendo a visibilidade dos talentos da região.


Cantor e compositor Erasmo Dibell apresentou as suas canções autorais. (foto: Aylla Almeida)
Cantor e compositor Erasmo Dibell apresentou as suas canções autorais. (foto: Aylla Almeida)

Os shows da noite tiveram como destaque a apresentação de Erasmo Dibell, que dividiu o palco com o músico e compositor Ricardo Lima Cruz, além de artistas que já acompanham sua trajetória musical há anos, como o percussionista Junior Casa Nova e o violinista Alexandre Magalhães. Figura frequente na atividade cultural, Erasmo ressaltou o evento Tatajuba pela Música como um espaço essencial para a valorização da produção autoral e regional em Imperatriz. A proposta dialoga com a visão da fundadora do Centro Cultural, Solanda Steckelberg, de fortalecer a cultura local e democratizar o acesso à arte.


Erasmo apresentou canções como “Juntinhos”, do álbum Sarará, “Beijo na Boca” e o clássico maranhense “Filhos da Precisão”, composto em 1992. “Não dá para fazermos isso nos barzinhos, pois a galera quer ouvir o que está tocando nas rádios”, comentou Dibell. Já Ricardo Lima reforçou que a sociedade está perdendo muito a essência da Música Popular Brasileira (MPB). Na sua opinião, movimentos culturais como o Tatajuba pela Música ajudam a demonstrar que a região tem compositores de qualidade. A gerente executiva do Tatajuba, Mônica Brandão, também defende essa aproximação entre público e artistas ao afirmar que o evento “não é só um show, é uma conversa com a música e a cultura”.


 Ricardo Lima defendeu mais valorização para a música popular brasileira. (foto: Paôla Macedo)
Ricardo Lima defendeu mais valorização para a música popular brasileira. (foto: Paôla Macedo)

Além da valorização cultural, os artistas relacionaram suas trajetórias pessoais ao papel educativo e social defendido pelo Centro Cultural Tatajuba. Ricardo Lima apresentou músicas autorais como “Simetria”, “Mande um Sinal” e “Luri”, canções que abordam sentimentos de saudade, intensidade e experiências amorosas vividas pelo próprio cantor. Alexandre Magalhães, por sua vez, ressaltou a qualidade do evento de valorizar os cantores da terra e relembrou que cresceu entre a influência artística do pai e o incentivo da mãe para seguir a docência, optando pelos dois caminhos. Solanda concorda que o projeto pode chegar muito longe ao incentivar talentos regionais, enquanto Mônica destaca que “quem trabalha com cultura tem uma responsabilidade educacional e social”.


Na plateia, Maria da Graça Mendes, vinda de Açailândia, disse que veio prestigiar a apresentação de Erasmo Dibell, por quem demonstra grande admiração. Maria elogiou as pinturas da exposição permanente do Tatajuba, a diversidade cultural e a receptividade encontrada no espaço, mas lamentou a falta de mais pessoas. “Pena que o pessoal não se interessa. Cadê o público? É de cortar o coração.” Com 40 cadeiras disponíveis, apenas cerca de 15 estavam ocupadas por visitantes, desconsiderando familiares dos músicos Erasmo e Ricardo, também presentes.


Sobre as próximas edições do projeto, Mônica explicou que o Tatajuba depende da captação de recursos para manter suas atividades culturais. Segundo a gerente executiva, iniciativas como o Tatajuba Impulsiona e o Tatajuba pela Música contavam com um patrocínio específico, utilizado nos cinco eventos já realizados, mas agora a equipe busca novos editais para garantir a sua continuidade. Apesar dos desafios, Mônica demonstra otimismo ao afirmar que há esperança de que novas edições ocorram em breve, mantendo viva a proposta cultural.


Feira de Artesanato


Artistas e empreendedores locais mostraram seu talento em feira de artesanato. (foto: Aylla Almeida)
Artistas e empreendedores locais mostraram seu talento em feira de artesanato. (foto: Aylla Almeida)

Além das apresentações musicais e das manifestações culturais, a programação do Tatajuba pela Música também abriu espaço para uma feira de artesanato, reunindo artistas e empreendedores locais que encontraram na arte uma forma de expressão e sustento. As histórias de Evânia Sodré, Eline Maria da Costa e Thomas Sobreira mostram diferentes caminhos dentro desse universo criativo. Evânia relembra que aprendeu o ofício ainda jovem, com incentivo da mãe. “Minha trajetória com o artesanato é desde a adolescência, dos 12 aos 13 anos”.


Artesã Evânia Sodré expôs os seus arranjos de flores em suplá durante a feira de artesanato. (foto: Aylla Almeida)
Artesã Evânia Sodré expôs os seus arranjos de flores em suplá durante a feira de artesanato. (foto: Aylla Almeida)

Evânia trabalha profissionalmente com artesanato desde novembro de 2025 e levou ao evento arranjos de flores em suplá, produzidos especialmente para homenagear as mães. Segundo a artesã, a ideia surgiu pela delicadeza da peça e pelo significado afetivo que ela carrega. “Cada filho gosta de dar um mimo pra sua mãe”, afirmou. Ela explicou que a técnica utilizada nos arranjos chamou sua atenção pela beleza e pela possibilidade de transformar o artesanato em uma forma de carinho e decoração.


Ela também ressaltou que grande parte do que sabe hoje foi aprendido dentro de casa, já que a mãe sempre a incentivou e ensinou técnicas como bordado, flores de fita e costura à mão. “Foi através dela que eu aprendi”, declarou a artesã, destacando que considera seu talento uma herança familiar.


Já Eline comentou  que encontrou na saboaria artesanal uma forma de transformar um período difícil em oportunidade de garantir a sua independência financeira. Segundo ela, a inspiração para iniciar no ramo surgiu de uma situação marcante na sua trajetória. “Foi um momento de dificuldade em ter que deixar meu bebê pequeno em casa e ter que ir pro mercado de trabalho”, relatou.


Eline da Costa demonstra delicadeza com artesanato voltado para a saboaria. (foto: Aylla Almeida)
Eline da Costa demonstra delicadeza com artesanato voltado para a saboaria. (foto: Aylla Almeida)

A partir dessa experiência, Eline passou a conhecer novas possibilidades. “Eu me encontrei com a saboaria artesanal”, acredita. Durante a feira, a artesã apresentou uma variedade de produtos em formatos de frutas, como melancia, maçã e tangerina, além de itens à base de babosa, opções clareadoras e sabonetes íntimos de barbatimão, demonstrando criatividade e delicadeza na produção de cada peça.


Também presente no evento, Thomas Sobreira, criador da marca regional Tonso, contou que iniciou produzindo máscaras durante a pandemia da Covid-19, e, com o crescimento das vendas, passou a investir em peças regionais e ecobags com referências à cultura local, exibindo frases como “Brasil”, “Maranhão” e “Imperatriz”. “A gente gosta muito da pegada artesanal”, comenta.


O Tatajuba pela Música encerra mais uma edição, reforçando a importância da cultura, da arte e da valorização dos talentos regionais. O evento proporcionou momentos de lazer, interação e conexão entre artistas, artesãos e comunidade, evidenciando como a cultura pode unir pessoas, incentivar talentos e dar visibilidade às produções locais.

 
 
 

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