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Espetáculo Rainha Aduke celebra tradições

  • 24 de jul.
  • 4 min de leitura

Ballet Folclórico de Açailândia destaca a riqueza da cultura popular


Bruna Braz

Isabela Da Hora

Jéssica Oliveira

Paula Eduarda

Sarah Bianca

Wallyson Ferreira


Às 20h do dia 18 de abril de 2026, quando as portas do Teatro Ferreira Gullar, em Imperatriz (MA), se abriram, o público foi recebido sob uma atmosfera imersiva: luzes reduzidas e sons que remetiam ao interior das florestas. Os bailarinos, deitados no chão próximo ao palco, seguravam lanternas com feixes direcionados para cima. Após a casa encher, os dançarinos se levantaram, apontaram os faróis para si e, em seguida os deixaram no palco para recepcionar a personagem principal. Começava o espetáculo Rainha Aduke - coroando a cultura popular.


Uma hora antes, os dançarinos alternavam entre o ensaio e o aquecimento, momento que evidenciou o nível de profissionalismo do elenco. No comando, o diretor Mikaell Carvalho e o coreógrafo Tharles Ponciano guiavam a preparação. A ideia era criar uma atmosfera imersiva para garantir que nenhum componente saísse do espírito criativo do espetáculo. A cena de abertura foi refinada, além dos ajustes no jogo de luzes no cenário. Por fim, minutos antes da entrada da plateia, os integrantes se organizaram em um círculo, como em um ritual, gritando: “Merda!”. Na linguagem do teatro, a expressão é equivalente a desejar boa sorte.


Integrantes do Ballet Folclórico em ritual de boa sorte antes do início do espetáculo. (foto: Jéssica Oliveira)
Integrantes do Ballet Folclórico em ritual de boa sorte antes do início do espetáculo. (foto: Jéssica Oliveira)

No monólogo inicial, o público foi recepcionado com uma declaração potente: “Tentaram me prender, dissolver, desmontar. Tentaram me diminuir e esfarelar. Disseram que eu estava ultrapassada, que não havia mais espaço para essa cultura popular”, recitou Marcela Rios, intérprete da protagonista, a rainha Aduke. Além de dançarina, ela é produtora cultural e cofundadora do Ballet Folclórico de Açailândia, estabelecido em 2020, em meio aos desafios da pandemia da Covid-19.


Sob a coordenação de Marcela e a direção artística de Tharles Ponciano, o grupo consolidou-se como um importante agente cultural na região Tocantina. Composto por 15 artistas, entre bailarinos e atores, ambiciona preservar o patrimônio imaterial brasileiro. O Ballet Folclórico promove ações que vão além do entretenimento, focadas na formação de público e na transformação social por meio da arte.


Durante teste de luz, todo clima do espetáculo Rainha Aduke começa a ser preparado. (foto: Jéssica Oliveira)
Durante teste de luz, todo clima do espetáculo Rainha Aduke começa a ser preparado. (foto: Jéssica Oliveira)

Para produtora do espetáculo, Rainha Aduke é mais que um movimento de expressão. Representa um marco na cultura de Açailândia e região, pois aflora e reafirma o compromisso do grupo com o senso de pertencimento à arte. Marcela se diz amante da cultura popular nordestina, da dança, das juninas e dos tablados e tem um amor peculiar pelo grupo.


Durante toda a preparação e produção, ela carregava em seu ventre, Abayomi, sua filha, que nasceu há pouco mais de seis meses. “E é muito louco porque eu dancei os nove meses inteiro. Ela quase de verdade nasceu no palco, porque a gente estreou um segundo espetáculo no dia 18 de outubro, às oito da noite. E ela nasceu dia 19 de outubro, às cinco da manhã”, detalha Marcela.


Da esquerda para direita: Ariane Matoso, Marcela Rios e sua filha Abayomi, Bruna do Nascimento e Antônia Flávia. (foto: Sarah Bianca)
Da esquerda para direita: Ariane Matoso, Marcela Rios e sua filha Abayomi, Bruna do Nascimento e Antônia Flávia. (foto: Sarah Bianca)

A princípio, o desafio do grupo foi o de criar o conceito do espetáculo. Se questionavam como iriam elaborar uma trama que unisse a diversidade de estilos de dança culturais da região, como o cacuriá, tambor de crioula, carimbó, bumba meu boi, dança afro, samba de roda, quadrilha junina e dança do coco. Durante a apresentação, o público aplaudia a cada transição de estilo, seja pela rápida troca de roupas, ou identificação cultural.


Da esquerda para direita, Wiriston Cardoso, o figurinista Walison Melo, o coreógrafo Tharles Ponciano, Eduardo Sousa, Robert Wirley, Jeferson Silva e André Lucas. (foto: Sarah Bianca)
Da esquerda para direita, Wiriston Cardoso, o figurinista Walison Melo, o coreógrafo Tharles Ponciano, Eduardo Sousa, Robert Wirley, Jeferson Silva e André Lucas. (foto: Sarah Bianca)

“A nossa ideia não era que fosse uma rainha, mas que fosse um personagem forte, que trouxesse e carregasse o espetáculo todo nas costas”, explica Ariane Matoso, atriz e educadora cultural. Mikaell Carvalho complementa que a rainha representa as pessoas comuns. “E quem detém a cultura é o povo. Não é a rainha, não é o rei, não são as princesas nem os príncipes. É o próprio povo.”


Rainha Aduke recebe a missão de nutrir o seu povo de cultura durante cena do espetáculo. (foto: Sarah Bianca)
Rainha Aduke recebe a missão de nutrir o seu povo de cultura durante cena do espetáculo. (foto: Sarah Bianca)

Um dos grandes obstáculos enfrentado pelo grupo é o financiamento. "Os patrocinadores somos nós mesmos", revela Mikaell. O primeiro figurino, por exemplo, nasceu da doação do tecido de um cenário cedido pelo grupo Cordão de Teatro.


Mais tarde, eles foram contemplados por um edital no valor de R$ 10 mil, porém os materiais, como os itens de vestuário, são de alto custo. O primeiro boi da apresentação era improvisado com vassouras. "Resistimos em um país em que a cultura, infelizmente, ainda não está em primeiro plano. E aí a gente continua, porque acredita no que faz", diz Marcela Rios.


Público reagiu com emoção e aplausos intensos durante e após o final do espetáculo. (foto: Sarah Bianca)
Público reagiu com emoção e aplausos intensos durante e após o final do espetáculo. (foto: Sarah Bianca)

 
 
 

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