Academia de Letras comemora 35 anos com premiação
Durante evento em Imperatriz três livros foram premiados como melhores de 2025
Erick Vinnicius
Isabella Aires
Higor Silva Falcão
“Imperatriz é um polo literário, tem muitos escritores”. A frase da vice-presidenta da Academia Imperatrizense de Letras, a escritora Edna Fonseca dos Santos Ventura, marca o 35º aniversário da instituição, que foi comemorado em cerimônia de homenagem, no dia 24 de abril de 2026. O destaque da noite, que teve o auditório da sede como palco, com o público lotando os assentos, foi a premiação do Concurso Literário 2025. Segundo Edna, a academia pretende continuar “sendo guardiã da palavra escrita” na cidade e na região, reforçando o compromisso da entidade com o incentivo à leitura e à escrita.
A comissão avaliadora, composta pelos professores de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Alexandre Maciel e dos cursos de Letras da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), Gilberto Freire de Santana, e da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Márcio Araújo de Melo, avaliou 13 obras e concedeu três prêmios. O primeiro ficou com Vozes de Mussambê da poeta, musicista e escritora Lília Diniz, o segundo com Positivo para bipolar, da jornalista Hyana Reis e o terceiro lugar para Um homem vestido de letras, do cantor, compositor, poeta, contista e cronista, Zeca Tocantins.

Durante a cerimônia, o professor Alexandre fez a leitura dos pareceres com as considerações e avaliações. Ao anunciar o terceiro lugar, a comissão destacou a obra Um homem vestido de letras, de Zeca Tocantins, pela linguagem coloquial e pelas crônicas que retratam o cotidiano regional com humor e reflexão. Segundo a análise dos avaliadores, os textos “mantêm a coerência estilística da vasta obra do autor” e abordam temas como política, meio ambiente, cultura e memória. Os professores também ressaltaram que os relatos mais marcantes são os episódios simples do cotidiano, aproximando o leitor da narrativa construída pelo escritor.

A segunda colocada, Hyana Reis, que escreveu Positivo para bipolar, teve sua obra apresentada pela comissão como um diário intenso e sensível sobre o transtorno de bipolaridade. Os jurados destacaram a relevância social do tema e a escrita direta da autora, afirmando que a narrativa aproxima o leitor das angústias e esperanças da personagem principal. O parecer afirma, ainda, que o livro possui uma “linguagem coloquial, clara e simples”, criando forte identificação emocional com os seus leitores.

Emocionada, Hyana agradeceu à academia e afirmou que o reconhecimento representa um momento importante para sua trajetória literária. A autora declarou estar feliz por ver uma obra com temática ligada à saúde mental sendo valorizada em um concurso literário. Durante o discurso, também destacou a importância de falar sobre transtornos psicológicos de maneira aberta e acessível ao público.
Recebendo muitos aplausos do público, Lília Diniz, que também faz parte da Academia de Letras, foi anunciada como vencedora do concurso, com a obra Vozes de Mussambê. A comissão avaliadora ressaltou a criatividade da autora, a força da linguagem poética e a forma como os contos abordam violência, memória, liberdade e opressão feminina. No parecer, os jurados mencionam que o livro apresenta “qualidade literária”, “criatividade e inovação”, e uma boa relação de estética com texto e ilustração.

“Não foi um livro fácil”, comentou Lília durante o seu discurso de agradecimento, ao tratar da dificuldade de elaboração da sua obra. Em discurso emocionado, dedicou o prêmio à sua bisavó e à sua tia, que sofreu violência doméstica durante a juventude. “Minha tia contava essas histórias horríveis com um sorriso tão meigo”, relembrou Lília. A autora disse que essas memórias ajudaram na construção dos contos presentes no livro.
Com uma voz forte e um sorriso aberto, Lília cantou trechos da canção “Pedrinha Miudinha”, tradicional da cultura popular afro-brasileira ligada aos pontos de Aruanda. A apresentação emocionou o público, que acompanhou atentamente a performance da escritora. A atuação reforçou os elementos culturais e afetivos presentes em Vozes de Mussambê, aproximando ainda mais a autora da plateia.
Após a apresentação de todos os membros da academia, que estavam sentados no fundo do palco, com os seus fardões, a vice-presidenta Edna Ventura recebeu a palavra e destacou a importância da Academia Imperatrizense de Letras para a valorização da cultura regional. Durante o discurso, afirmou que a instituição busca incentivar a produção literária e aproximar o público da literatura por meio de eventos gratuitos, projetos culturais e parcerias com escolas e universidades. A presidenta também ressaltou que Imperatriz vem construindo sua própria identidade literária ao longo dos anos e que a AIL continuará incentivando novos escritores e fortalecendo a cultura literária de Imperatriz e da região.





Comentários